Autores: Chen Taotao, Song Qing, Feng Jian, Qiao Ziyi, Rong Yu
A caixa de ferramentas “5W1H+” foi concebida para analisar em profundidade os mecanismos de redução da pobreza e integrar, de forma inovadora, perspectivas interculturais, a fim de promover o intercâmbio e a transferência de experiências internacionais. A filosofia de desenvolvimento dessa caixa de ferramentas inspira-se na essência da “Análise de Fatores” (isto é, oferecer várias direções-chave de reflexão por meio de perguntas sobre uma série de fatores centrais, como acontecimentos, tempo e lugar). No entanto, as ferramentas tradicionais de análise de fatores carecem de refinamento e precisão suficientes para atender às necessidades específicas da pesquisa sobre redução da pobreza, e sua adaptabilidade também é insuficiente. Para enfrentar esse problema, desenvolvemos esta caixa de ferramentas com base em uma análise aprofundada e na sistematização de numerosos casos de redução da pobreza, combinadas com uma perspectiva intercultural. Ela delimita com precisão seis elementos-chave das questões de redução da pobreza: —O quê, Quando, Onde, Por quê, Quem e Como (em inglês, as 5W). Em primeiro lugar, busca analisar minuciosamente as situações de pobreza e as estratégias de redução da pobreza, revelando em profundidade os mecanismos internos do processo de redução da pobreza. Com base nisso, a caixa de ferramentas oferece de maneira singular uma “perspectiva intercultural”, incentivando os usuários a ampliar seu foco analítico de casos isolados para questões de pobreza em diferentes contextos, compreendendo assim as semelhanças e diferenças nos esforços de redução da pobreza em distintos países e contextos culturais, explorando a transferência transnacional de experiências de redução da pobreza e promovendo o aprendizado e a cooperação em âmbito internacional.
I. Análise detalhada e da lógica interna dos programas de alívio e redução da pobreza
A análise dos seis elementos da caixa de ferramentas “5W1H+” tem como objetivo principal analisar de forma detalhada os cenários de pobreza e analisar as estratégias de redução da pobreza. A análise relativamente independente e interativa dos diferentes elementos nos permite interpretar progressivamente as questões da redução da pobreza. Por meio da sistematização, a lógica interna da geração da pobreza e das estratégias de redução da pobreza pode ser dividida em dois níveis principais de análise: o primeiro é a análise dos cenários de pobreza e de suas causas, incluindo a identificação da pobreza (o quê), a descrição da pobreza (quem, quando, onde) e a análise da pobreza (por quê); o segundo é a análise das estratégias de redução da pobreza e de sua implementação, incluindo a definição das estratégias centrais de redução da pobreza (como) e a construção de uma rede de múltiplos atores envolvidos (quem).
(1) Análise dos cenários de pobreza e de suas causas
1. Descobrir a pobreza (o quê)
O significado da pobreza é profundo e multidimensional, abarcando muitos níveis, o que exige de nós um olhar atento e uma mente aberta para perceber e descobrir a pobreza real na vida.
A pobreza não é apenas uma simples questão de insuficiência de renda; ela compreende problemas em vários níveis, desde necessidades básicas de subsistência, oportunidades educacionais e assistência à saúde até necessidades emocionais e carências culturais. Quando ampliamos nossa perspectiva, podemos perceber que muitos fenômenos ao nosso redor refletem a verdadeira face da “pobreza”. Por exemplo, com o aumento da proporção da população anciã, cada vez mais anciãos vivenciam solidão, falta de interação social e barreiras à integração social. Esses problemas levam ainda a desafios de saúde e sociais, como depressão, declínio cognitivo e aumento do risco de doenças crônicas, o que sem dúvida representa uma manifestação específica da essência da “pobreza”. Outro exemplo são as crianças que crescem em favelas, onde suas comunidades estão marcadas pelo abuso de drogas, pela gratificação imediata, pelo hedonismo e pela competição pela sobrevivência, o “darwinismo social”. Esse ciclo vicioso nos ambientes culturais também constitui uma forma singular de “pobreza”. Conforme definido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (1999), o significado mais profundo da pobreza está na perda, pelas pessoas, do acesso a oportunidades e escolhas básicas de desenvolvimento. São precisamente essas oportunidades e escolhas que podem conduzir os indivíduos a vidas sustentáveis, saudáveis e criativas, permitindo-lhes desfrutar de uma vida com dignidade e respeito pela liberdade, pela autonomia e pelos outros. Portanto, descobrir o fenômeno da pobreza real é a pedra angular de nossa descrição e análise.
2. Descrever o cenário da pobreza (quem, onde, quando)
Após a descoberta da pobreza, como o fenômeno da pobreza se caracteriza por situações distintas, é necessário analisar de forma detalhada esse fenômeno a partir de múltiplos aspectos e ângulos, de modo a descrever o cenário da pobreza, incluindo, entre outros, a descrição compreensiva de elementos-chave como pessoas, lugares e tempos.
Pessoas afetadas pela pobreza (quem): em cada cenário específico de pobreza, pode haver diferentes grupos de “pobres” diretamente abordados. Para descrever com precisão os fenômenos da pobreza, precisamos identificar as características centrais das pessoas-chave envolvidas, como analfabetos, trabalhadores sem qualificação, pessoas com deficiência, idosos, desempregados e grupos marginalizados nas periferias urbanas.
As áreas geográficas em que a pobreza ocorre (onde): desde o ambiente geral de um país ou região até a topografia, as formas do relevo e as condições de infraestrutura das aldeias, comunidades e áreas circundantes, tudo contribui para as características das regiões geográficas onde a pobreza ocorre. Descrever com precisão os fenômenos da pobreza também exige que identifiquemos os elementos-chave de localização, como áreas rurais remotas, zonas de transição urbano-rural, regiões com escassez de recursos e áreas de minorias étnicas.
O momento em que a pobreza ocorre (quando): na dimensão temporal, descrever o contexto da pobreza não exige apenas identificar o momento exato em que ela ocorre, mas também aprofundar-se no quadro temporal mais amplo e no contexto daquele momento. Retratar a pobreza com precisão também envolve captar e refinar com rigor as características dos principais elementos temporais, como períodos de desastres naturais, transições econômicas, ajustes de políticas públicas e quedas estacionais do emprego.
Pessoas, lugares e tempos — esses três elementos-chave, como os eixos de um mapa, esboçam coletivamente um quadro detalhado da pobreza. Nesse quadro, as condições de vida de grupos específicos, a situação de desenvolvimento de regiões determinadas e o pano de fundo social de períodos históricos concretos se entrelaçam para formar um modelo tridimensional de análise da pobreza. Esse modelo não apenas oferece caminhos analíticos ricos para nossa exploração aprofundada das causas da pobreza, permitindo-nos compreender os mecanismos de geração da pobreza do nível micro ao macro, mas também fornece as condições fundamentais para o desenho de estratégias de redução da pobreza mais precisas e eficazes.
3. Analisar as causas da pobreza (por quê)
Após uma descrição compreensiva dos elementos do cenário, como pessoas, lugares e tempos envolvidos na pobreza, a análise das causas da pobreza precisa tomar esses elementos como ponto de partida para explorar as causas específicas da formação de determinadas condições de pobreza.
Analisar as causas da pobreza é, em geral, uma tarefa complexa e abarcante, que envolve a integração e a reestruturação lógica de múltiplos fatores relacionados. Tomando como exemplo a comunidade de Malhadinha, no Brasil, essa comunidade está localizada em uma área remota do interior da floresta amazônica, no norte do Brasil, com clima quente, falta de fontes de água limpa e condições de transporte extremamente precárias (onde); os moradores da comunidade são, em sua maioria, descendentes de escravizados que historicamente fugiram de fazendas do sul e, em geral, possuem baixos níveis de escolaridade (quem); desde sua formação, a comunidade permaneceu ao longo da história em um estado de pobreza econômica e subdesenvolvimento, até ser identificada pela State Grid Brazil Holding S.A. durante uma avaliação de impacto ambiental de um projeto, em 2015 (quando). Nesse contexto específico, as causas da pobreza da comunidade podem ser interpretadas em dois níveis (por quê): por um lado, a localização geográfica remota da comunidade levou historicamente à sua não integração aos planos nacionais de desenvolvimento, o que constitui uma causa geral da pobreza; por outro lado, limitados pelas tradições de sobrevivência existentes e pelas condições ambientais, os moradores precisaram recorrer a métodos tradicionais para colher frutas e vendê-las como suco, um modo de produção ineficiente e anti-higiênico, o que constitui uma causa específica da pobreza.
Em suma, integrar sistematicamente os recursos de informação existentes e construir vínculos e cadeias lógicas entre os diversos elementos é a chave para compreender profundamente as raízes da pobreza e captar com precisão a sua essência.
Em resumo, a pobreza possui múltiplas camadas e dimensões. Ela não apenas exige que a identifiquemos e descubramos com cuidado, mas também demanda uma compreensão precisa de elementos-chave como os indivíduos, o tempo e o lugar. Precisamos delinear cuidadosamente os cenários específicos de pobreza e, com base nisso, realizar uma análise abrangente e aprofundada das múltiplas causas da pobreza. Esse processo é crucial para compreender a essência da pobreza e formular estratégias e medidas direcionadas de redução da pobreza.
(2) Análise dos programas de redução da pobreza e de sua implementação
Após concluir o processo de “identificar a pobreza — descrever a pobreza — analisar a pobreza” e alcançar uma compreensão profunda dos cenários e das causas da pobreza, precisamos nos apoiar nas bases já existentes de redução da pobreza nesses cenários e nos recursos externos disponíveis para a redução da pobreza, e considerar estratégias direcionadas de redução da pobreza. Isso exige, em primeiro lugar, determinar a estratégia central de redução da pobreza (como) e também construir uma rede de múltiplos atores envolvidos (quem) para facilitar a implementação dessas estratégias.
1. Identificar as estratégias centrais de redução da pobreza (como)
A formulação de programas de redução da pobreza é um projeto sistemático. No entanto, por trás de toda estratégia bem-sucedida de redução da pobreza existe um plano central de ação claramente definido. A formação dessa estratégia central é o resultado de reflexão profunda e planejamento minucioso com base em uma análise exaustiva das características das pessoas afetadas pela pobreza, das características geográficas de onde a pobreza ocorre, do contexto histórico em que os fenômenos de pobreza emergem e da análise abrangente das causas da pobreza.
As estratégias de redução da pobreza são diversas e flexíveis, permitindo abordagens a partir de várias perspectivas e o aproveitamento de conhecimentos de diferentes áreas. Por exemplo, alguns programas se concentram em criar novos modelos sustentáveis de subsistência para os pobres, melhorando, assim, os métodos ineficientes de produção. Casos bem-sucedidos, como o “alívio da pobreza por meio do turismo” e o “alívio da pobreza por meio do comércio eletrônico” na China, bem como a transformação promovida pela State Grid Brazil Holding S.A. na comunidade de Malhadinha, de “suco artesanal” para “produção de suco em escala fabril”, ilustram de forma vívida esse processo de transição. Outros programas visam causas específicas da pobreza, introduzindo novas tecnologias ou concebendo novos produtos para enfrentar questões ligadas à pobreza. Por exemplo, no Quênia, a introdução de sistemas de irrigação por gotejamento movidos a energia solar resolveu de forma eficaz o problema dos agricultores que tinham dificuldades para desenvolver a agricultura e a pecuária devido à insuficiência de fontes de água; na China, produtos financeiros inovadores, como contratos futuros de maçã e opções de milho lançados pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, reforçaram especificamente a capacidade de resistência ao risco de agricultores empobrecidos, garantindo a estabilidade de sua renda. Embora as estratégias centrais de redução da pobreza variem entre os diferentes programas, todas elas constituem o eixo central das ações de redução da pobreza, orientando múltiplas forças a atuarem em conjunto em direção a um objetivo comum.
2. Construir uma rede de múltiplos sujeitos (quem)
A redução da pobreza é, em geral, o resultado da colaboração entre múltiplos atores e instituições, o que exige um planejamento cuidadoso de como coordenar os diferentes participantes e de como integrar recursos e capacidades diversificados com base no estabelecimento de estratégias centrais de ação, a fim de assegurar a implementação fluida dos programas de redução da pobreza e promover o desenvolvimento sustentável de longo prazo de seus objetivos.
Diferentemente do fator “quem” nos cenários de pobreza, nas etapas de concepção e implementação dos programas de redução da pobreza, “quem” refere-se à rede de múltiplos atores envolvidos nos esforços de redução da pobreza. Precisamos não apenas detalhar as responsabilidades específicas de cada ator, mas também aprofundar-nos em suas conexões lógicas e interações nas ações de redução da pobreza.
Em primeiro lugar, precisamos concentrar-nos nas entidades ou instituições-chave que desempenham papel de liderança e impulso, compreendendo sua posição nas estruturas sociais, bem como suas motivações, escolhas estratégicas e abordagens práticas nos esforços de redução da pobreza. Essas entidades ou instituições líderes frequentemente assumem múltiplos papéis, como estrategistas, integradoras de recursos e coordenadoras de ação. Suas ações não apenas impactam diretamente os resultados da redução da pobreza, mas também podem ter efeitos profundos sobre a construção de todo o ecossistema de redução da pobreza. Portanto, a pesquisa aprofundada sobre essas entidades nos ajuda a compreender melhor a direção geral do trabalho de redução da pobreza.
Em segundo lugar, nenhuma instituição líder, sozinha, pode possuir todos os recursos e capacidades necessários para implementar um programa abarcante de redução da pobreza; por isso, são necessários os esforços colaborativos de diversos setores da sociedade. Governos, instituições de ensino superior, empresas, organizações sem fins lucrativos e outros atores dispõem, cada um, de recursos e conhecimentos específicos. Eles podem desempenhar um papel indispensável em áreas-chave como financiamento, mobilização organizacional, difusão tecnológica e monitoramento contínuo dos programas de redução da pobreza. Explorar como essas entidades colaboram sob a liderança da instituição principal para promover conjuntamente a implementação do programa também é crucial para garantir o êxito dos esforços de redução da pobreza.
Em conclusão, a implementação dos programas de redução da pobreza deve basear-se em uma estratégia central de ação claramente definida, como inovar modelos de subsistência, introduzir novas tecnologias e promover novos produtos. Com base nisso, é essencial considerar primeiro as entidades-chave que desempenham papel de liderança e impulso, ao mesmo tempo em que se analisa como diferentes organizações sociais podem formar, sob sua liderança, uma rede de redução da pobreza, trabalhando em conjunto para implementar o programa.
2. Dicas sobre o uso da caixa de ferramentas na aprendizagem transfronteiriça a partir de programas de redução da pobreza
Após analisar de forma detalhada o cenário da pobreza por meio de seis questões centrais e esclarecer os mecanismos internos dos programas de redução da pobreza, a caixa de ferramentas “5W1H+” incentiva os usuários a explorar a transferibilidade transnacional das experiências de redução da pobreza a partir de sua singular “perspectiva intercultural”, promovendo a aprendizagem mútua e o intercâmbio entre países. Ao considerar a transferibilidade, é fundamental concentrar-se, em primeiro lugar, na descrição precisa dos cenários de pobreza e em uma compreensão clara das causas da pobreza em diferentes países e contextos culturais e institucionais; com base nisso, também se deve prestar atenção às condições objetivas para a implementação de programas de redução da pobreza em diferentes países e contextos culturais e institucionais, especialmente às possíveis diferenças nos papéis desempenhados pelos diversos atores.
(1) Prestar atenção à descrição exata dos cenários de pobreza e à compreensão exata das causas da pobreza no contexto intercultural
Em diferentes países e contextos institucionais e culturais, as características de “pessoas”, “tempo” e “lugar” nos cenários de pobreza apresentam certas diferenças e semelhanças. Uma análise aprofundada dessas diferenças e semelhanças pode nos ajudar a compreender com mais precisão as causas fundamentais da pobreza.
Por um lado, a aplicação transfronteiriça de programas de redução da pobreza exige a superação das diferenças entre países, o que requer uma análise minuciosa das variações entre os cenários. Por exemplo, devido às diferentes etapas de desenvolvimento e às distintas características de cada época, esses fatores influenciam significativamente o surgimento da pobreza. Uma consideração cuidadosa dessas diferenças é crucial para a transferência bem-sucedida dos programas de redução da pobreza.
Por outro lado, os programas internacionais de redução da pobreza precisam explorar plenamente as semelhanças para facilitar a transferência transfronteiriça. Por exemplo, apesar de estarem em diferentes estágios de desenvolvimento, os países compartilham o mesmo mundo e enfrentam muitos desafios comuns do nosso tempo. Eventos como a crise econômica global de 2008 e a pandemia global da COVID-19 em 2020 tiveram impactos amplos em diferentes regiões e países, levando um número significativo de pessoas a cair novamente na pobreza. Esses desafios globais não apenas destacam o caráter universal da pobreza, mas também reforçam a replicabilidade e a transferibilidade das experiências internacionais de redução da pobreza, oferecendo valiosas oportunidades de aprendizagem mútuo e referência entre diferentes países. Portanto, ao formular estratégias de redução da pobreza, devemos concentrar-nos em identificar e utilizar esses fatores comuns.
(2) Prestar atenção às condições objetivas para a implementação de programas de redução da pobreza em um contexto intercultural, especialmente aos possíveis distintos papéis de vários atores
Uma vez compreendidas com precisão as semelhanças e as diferenças nos cenários e nas causas da pobreza em diferentes países e culturas institucionais, é necessário considerar as distintas condições objetivas sob as quais programas já estabelecidos de redução da pobreza podem ser transferidos e, em particular, as diferenças nos papéis desempenhados pelos diferentes agentes dos quais a redução da pobreza depende.
Diferentes países apresentam níveis distintos de desenvolvimento econômico, recursos naturais, tradições culturais e sistemas políticos, o que cria diferenças objetivas nas condições para programas transfronteiriços de redução da pobreza. Por exemplo, o rápido crescimento econômico da China e sua infraestrutura bem desenvolvida fornecem uma base sólida para implementar diversas estratégias de alívio da pobreza, como comércio eletrônico e turismo. Em contraste, alguns países da África Subsaariana apresentam níveis mais baixos de desenvolvimento econômico e infraestrutura subdesenvolvida, especialmente em redes rodoviárias, fornecimento de energia e instalações de comunicação. Essa falta de infraestrutura logística pode dificultar a promoção, na África, do modelo chinês de alívio da pobreza por meio do comércio eletrônico.
É particularmente importante observar que, nos esforços de redução da pobreza, os papéis e funções dos diversos atores podem variar significativamente em razão das diferenças nas estruturas políticas, econômicas e sociais entre os países. Por exemplo, na China, o governo normalmente desempenha um papel central de liderança no alívio da pobreza, sendo responsável pela formulação e implementação de políticas de redução da pobreza, ao mesmo tempo em que investe recursos financeiros e materiais substanciais para promover esse processo. Em contraste, em outros contextos, os governos podem não dispor de capacidade de liderança tão forte, de modo que empresas e organizações não governamentais internacionais podem desempenhar papéis mais decisivos nas práticas de redução da pobreza.
Em resumo, no processo de comunicação intercultural, é crucial compreender as diferenças e semelhanças dos cenários de pobreza e identificar quais experiências internacionais possuem valor de referência para os esforços de redução da pobreza. Integrar práticas bem-sucedidas dos países de origem com as características locais dos países anfitriões é a chave para alcançar estratégias eficazes de redução da pobreza. Nos países anfitriões, assegurar que instituições adequadas assumam funções apropriadas e façam os ajustes necessários de localização com base nas condições locais é fundamental para enfrentar questões centrais como captação de recursos, mobilização organizacional, difusão tecnológica e monitoramento contínuo. Somente assim o potencial da transferência de experiências internacionais poderá ser maximizado.
Breve resumo
A caixa de ferramentas “5W1H+” de redução da pobreza, uma realização inovadora baseada em exploração aprofundada e refinamento meticuloso de numerosas práticas de redução da pobreza, representa uma tentativa significativa em nosso campo de análise da pobreza. Ela integra ferramentas tradicionais de análise de fatores, adaptando-as para abordar questões da pobreza. Isso compensa de maneira eficaz as limitações das ferramentas e metodologias encontradas em pesquisas anteriores sobre pobreza. Com sua perspectiva singular e sua abordagem extenso, ela oferece uma contribuição importante ao campo da redução da pobreza.
O núcleo desta caixa de ferramentas gira em torno de seis elementos-chave (pelas suas siglas em inglês 5W1H): — características da pobreza (O quê), contexto histórico (Quando), características específicas do local (Onde), causas da pobreza (Por quê), atores envolvidos (Quem) e estratégias de redução da pobreza (Como). — Ela constrói um marco analítico abrangente e multinível. Esse marco não apenas nos fornece uma nova perspectiva para compreender em profundidade os desafios da redução da pobreza, permitindo-nos analisar cuidadosamente os fenômenos da pobreza, mas também nos ajuda a revelar a lógica e os mecanismos internos por trás das ações de redução da pobreza, estabelecendo uma base sólida para a formulação de estratégias de redução da pobreza mais científicas e racionais.
Dentro desse marco, damos ênfase especial ao intercâmbio e ao aprendizado mútuo das experiências de redução da pobreza em diferentes contextos culturais. Por meio da caixa de ferramentas “5W1H+” de redução da pobreza, podemos não apenas identificar e sistematizar práticas e experiências bem-sucedidas de diferentes regiões no processo de redução da pobreza, mas também promover a difusão e a aplicação dessas experiências em escala global, alcançando uma comunicação sincronizada e aprendizagem mútuo entre experiências de redução da pobreza.